Impressões de 18 meses no Canadá

Já faz mais de um ano e meio que me mudei para o Canadá. Lembro bem da ansiedade e do nervosismo antes da mudança. Os últimos dias no Brasil foram tensos e sempre com aquela dúvida na cabeça: será que devo desistir?

O desapego teve que ser muito grande e eu, como alguns sabem, me apego demais às coisas. Que dirá às pessoas!
Sem nada garantido, embarcamos.

A primeira preocupação era com os cachorros, mas tudo correu tão bem que foi difícil de acreditar.

A carteira de motorista consegui logo, por (quase) um milagre. O carro comprei praticamente no susto e com um bom desconto.

Tínhamos só um mês na casa reservada pelo Airbnb, mas depois de duas semanas conseguimos alugar a terceira casa que visitamos. Contrato de um ano, dois cachorros aceitos e sem comprovante de trabalho.

Um mês depois, o primeiro emprego.

Dois meses depois, o segundo emprego.

Quatro meses depois, o terceiro emprego.

Nesse último e atual, duas promoções em menos de 6 meses.

No meio tempo, devido ao carro grande e inesperado que acabei comprando, fiz transfers para brasileiros e conheci muita gente legal.

Todos os brasileiros que eu transportava tinham o sonho da Residência Permanente – o famoso PR.
Quando eu contava que tinha conseguido o PR aplicando do Brasil, a maioria dizia: “que sorte”.

Aí, depois desse um ano, começo a perceber que tenho “sorte” mesmo.

Apesar do osso da mão quebrada em dezembro, do aluguel caro e dos outros problemas do cotidiano, começar do zero está indo melhor do que o esperado.

Porém, nada acontece sem esforço. Sem dar o primeiro passo. Sem aceitar colocar a mão na massa.
Estou realizando um sonho, mas o dia-a-dia é real.

O apego às pessoas não mudou. É o que sempre “pega”. As saudades. Muita falta da família e dos amigos.

O coração sempre dividido.

Ao mesmo tempo, o apego às coisas quase que desapareceu. O material é o que menos importa. Nem lembro das roupas e dos objetos que deixei pra trás.

Aqui, respiro melhor, saio com tranquilidade, aprecio a natureza, aproveito as quatro estações…pequenas coisas que me fazem viver melhor.

Parece que tenho o cenário perfeito para o meu roteiro, mas faltam alguns atores para completar o filme.

Será que um dia tudo se encaixa?

Bom, mas chega de textão…

Resumindo: tá tudo indo bem, sou um cara de sorte, mas tô com saudades.

Agradeço muito os familiares e os amigos que, mesmo à distância, estão escrevendo o roteiro junto comigo!

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